A IA na educação deixou de ser uma discussão sobre o futuro e virou uma questão de rotina escolar. Enquanto a maioria dos estudantes brasileiros já usa ferramentas de inteligência artificial para estudar, a maior parte das escolas ainda responde a esse uso com bloqueio, e não com mediação.
Este conteúdo mostra o tamanho desse descompasso com dados de pesquisas nacionais, explica por que infraestrutura é parte inseparável da equação e traz o que a experiência da Arlequim na rede pública municipal de ensino de Osasco revela sobre formar estudantes capazes de criar com tecnologia, não apenas de consumi-la.
Resumo
- 65% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos no Brasil já usaram IA generativa, mas apenas 37% das escolas permitem o uso em atividades educacionais.
- A adoção corporativa avança em paralelo: 17% das empresas brasileiras já usam IA, chegando a 50% entre aquelas com 250 funcionários ou mais.
- Acesso à internet na escola não é o mesmo que acesso disponível para o aluno: 95% contra 84%.
- O projeto da Arlequim com a Prefeitura de Osasco soma cerca de 20,5 mil computadores virtuais ativos e 35 mil estudantes beneficiados em três anos.
- O ponto central não é usar IA, e sim saber avaliar, orientar e questionar o que a ferramenta entrega.
Pergunte a uma criança ou adolescente hoje como ele usa inteligência artificial e a resposta provavelmente passará longe de “ainda não tenho contato com isso”.
No Brasil, 65% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos já utilizaram alguma ferramenta de inteligência artificial generativa, segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br|NIC.br. Entre as finalidades investigadas, 59% afirmaram usar IA para pesquisas escolares ou estudos. O uso é ainda maior entre adolescentes: chega a 75% nas faixas de 13 a 17 anos.
O dado confere senso de urgência ao tema. A inteligência artificial já está presente no cotidiano dos estudantes. A questão agora é como a escola participa desse processo de forma mais ativa e próxima.
A escola está entrando em uma nova fase da formação digital
Embora as pesquisas mostrem que a maioria dos estudantes já utiliza inteligência artificial e que as escolas dispõem de infraestrutura tecnológica, vivemos um claro descompasso. Em vez de mediar e orientar esse uso, a maioria das instituições opta pelo simples bloqueio.
O próprio estudo TIC Educação 2025 mostra que as escolas brasileiras ainda estão construindo essa nova etapa. Apenas 37% delas permitem que os alunos utilizem inteligência artificial em atividades educacionais. Entre as escolas municipais, o percentual é de 35%. Mais revelador ainda: somente 22% das escolas possuem algum guia ou orientação sobre o uso de IA em atividades de ensino, aprendizagem ou gestão. Nas escolas municipais, esse número cai para 19%.
O que isso tem a ver com o mercado de trabalho?
A resposta aparece quando olhamos para a adoção da IA pelas empresas.
O estudo TIC Empresas 2025 aponta que 17% das empresas brasileiras utilizaram tecnologias de inteligência artificial no período pesquisado. Entre as organizações com 250 funcionários ou mais, a proporção chegou a 50%. Em 2024, esses percentuais eram de 13% e 38%, respectivamente.
A adoção também não está concentrada em uma única aplicação. As empresas utilizam IA para automatização de fluxos de trabalho, geração de linguagem, reconhecimento e processamento de imagens, machine learning e outras atividades. Para quem está na escola hoje, isso significa que a familiaridade com ferramentas digitais não será algo separado da vida profissional. Ela fará parte intrínseca dela.
É por isso que a formação digital precisa ir além de ensinar uma plataforma específica. O estudante deve desenvolver a capacidade de aprender novas ferramentas, entender seus usos e limites e encontrar maneiras de aplicá-las a situações reais.
Essa discussão se aproxima do que já está previsto na BNCC Computação, que trabalha competências relacionadas a pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. A Arlequim já abordou o tema em profundidade no artigo BNCC Computação: o que muda nas escolas brasileiras e por que a formação digital deixou de ser opcional.
Infraestrutura é parte relevante da equação
Existe uma tendência de tratar a inteligência artificial como uma questão exclusivamente relacionada a software. Mas a relação não é tão direta ou simplista. Uma ferramenta só pode ser utilizada quando existe infraestrutura capaz de sustentá-la e quando o usuário tem condições de acessá-la.
O estudo também mostra que, embora 95% das escolas tenham acesso à internet, o percentual de escolas com internet disponível para uso dos alunos é de 84%. Nas escolas municipais, 80%.
Essa é uma diferença importante porque infraestrutura educacional não significa apenas ter conexão na escola. É preciso pensar em equipamentos, ambientes computacionais, plataformas e formas de levar esse acesso para diferentes contextos de aprendizagem. Foi para resolver essas questões que nasceu o projeto da Arlequim em parceria com a prefeitura de Osasco
O projeto começou em outubro de 2022 e hoje conta com aproximadamente 20,5 mil computadores virtuais ativos.
Nos últimos três anos, cerca de 35 mil estudantes foram beneficiados pelo uso do Computador Virtual Arlequim. Considerando as famílias que também têm acesso aos equipamentos em casa, o alcance ultrapassa 100 mil pessoas.
O público principal é formado por professores da rede pública municipal e estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental (4º e 5º), além das equipes gestoras e técnicas das escolas e da Secretaria Municipal de Educação.
Um dos diferenciais está justamente na possibilidade de utilizar a estrutura fora da escola. A Prefeitura distribui notebooks compactos com o ambiente Arlequim pré-instalado, permitindo que estudantes e professores tenham acesso aos recursos em diferentes lugares.
O sistema reúne ferramentas como HUB Aluno, HUB Professor, HUB Cursos, HUB Gestor e Creator4All, além do pacote Office e do Minecraft Education.
Para saber mais sobre esse modelo, leia outro conteúdo publicado pela Arlequim sobre o papel da infraestrutura na transformação digital da educação: Como o Desktop as a Service impulsiona a transformação digital na educação brasileira.
Quando a IA vira uma ferramenta para criar
Essa mudança de perspectiva apareceu na experiência compartilhada pelo Head de Produto da Arlequim, Leonardo Dabague, durante o painel “Desmistificando a IA”, realizado no 4º Oz Valley Summit, em Osasco.
Leonardo contou que a Arlequim realizou um workshop de formação em inteligência artificial para aproximadamente 100 professores de uma rede pública de ensino municipal.
Depois do treinamento e do acompanhamento, surgiram aplicações concretas: professores desenvolveram aplicativos de leitura para utilizar em sala de aula e uma servidora pública criou um site para auxiliar na locação de transporte coletivo dentro da Prefeitura.
O exemplo é interessante justamente porque não começa pela tecnologia. Começa por criar uma solução para um problema. A ferramenta entra depois, transformando a solução idealizada em uma aplicação prática.
Além disso, o repertório individual sempre será importante mesmo em um cenário em que a IA consegue produzir textos, imagens, códigos e análises.
Quanto mais conhecimento a pessoa tem sobre o assunto e sobre a questão que está tentando resolver, mais condições ela terá de orientar a ferramenta e avaliar o resultado.
A diferença entre usar e saber usar
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para a educação. Uma criança que utiliza IA generativa não necessariamente sabe avaliar uma resposta produzida por ela. Um professor que consegue gerar rapidamente uma atividade também precisa entender se aquela atividade é adequada para seus alunos. Uma escola que disponibiliza uma ferramenta precisa pensar em como orientar seu uso.
O Ministério da Educação passou a tratar o tema de maneira mais estruturada este ano, quando criou o Sandbox Regulatório de IA na Educação, um ambiente para testar soluções de inteligência artificial de maneira controlada, avaliando riscos, salvaguardas e aspectos pedagógicos, éticos e técnicos. O programa prevê, inclusive, que decisões totalmente automatizadas sem revisão humana e a substituição de docentes por sistemas de IA sejam proibidas durante os testes.
Isso mostra que a discussão envolve também governança, segurança, proteção de dados e papel dos profissionais da educação.
A formação começa antes da profissão
A proposta não é transformar o Ensino Fundamental em uma formação profissionalizante em tecnologia, mas criar familiaridade.
Voltando ao projeto de Osasco, crianças e adolescentes têm contato com ferramentas digitais que também aparecem no cotidiano profissional, como editores de texto, planilhas, apresentações e ambientes de colaboração.
Eles também podem utilizar recursos como o Minecraft Education, que amplia as possibilidades de atividades pedagógicas, com suporte de placas de vídeo capazes de executar o jogo com fluidez.
Uma pessoa que cresce utilizando ferramentas digitais e aprendendo a resolver problemas com tecnologia terá um repertório diferente daquela que só teve contato com esses recursos no mercado de trabalho.
Esse ponto ganha relevância em uma cidade como Osasco, que concentra empresas e iniciativas de base tecnológica e voltadas à inovação.
O que vem depois do acesso?
A expansão do acesso à tecnologia resolveu uma parte do problema. A inteligência artificial está criando outro. A pergunta já não é simplesmente se o estudante tem um computador ou acesso à internet. É o que ele consegue fazer com esses recursos.
Pesquisar.
Criar.
Testar.
Comparar informações.
Resolver problemas.
E, principalmente, questionar os resultados.
Essa nova realidade passa pela infraestrutura disponível na escola, pela preparação dos professores e pelas experiências que permitem ao estudante deixar de ser apenas consumidor de tecnologia e começar a utilizá-la para criar.
No caso de Osasco, esse processo já está em andamento.
E a experiência mostra que preparar estudantes para um mercado cada vez mais digital não depende de escolher entre educação e tecnologia. Depende de aproximar as duas coisas de maneira prática, com acesso, formação e espaço para experimentar.
Perguntas frequentes sobre IA na educação
Quantos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial?
Segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br|NIC.br, 65% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos já utilizaram alguma ferramenta de IA generativa. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, o índice chega a 75%.
As escolas brasileiras podem usar IA em sala de aula?
Não há proibição generalizada, mas apenas 37% das escolas permitem o uso de IA em atividades educacionais e somente 22% têm algum guia ou orientação sobre o tema. A ausência de diretriz interna é hoje o maior obstáculo, mais do que a regra externa.
O que é o Sandbox Regulatório de IA na Educação?
É um ambiente criado pelo Ministério da Educação para testar soluções de inteligência artificial de forma controlada, avaliando riscos, salvaguardas e aspectos pedagógicos, éticos e técnicos. Durante os testes, ficam proibidas decisões totalmente automatizadas sem revisão humana e a substituição de professores por sistemas de IA.
Por que infraestrutura importa para usar IA na escola?
Porque ferramenta sem acesso não chega ao estudante. Embora 95% das escolas tenham internet, apenas 84% disponibilizam a conexão para uso dos alunos, e o acesso ainda depende de equipamentos, ambientes computacionais e plataformas adequadas.
Como funciona o computador virtual em escolas públicas?
O ambiente de trabalho fica hospedado na nuvem e é acessado por um equipamento simples, dentro ou fora da escola. No projeto de Osasco, notebooks compactos levam o ambiente pré-instalado para casa, ampliando o uso para além do horário de aula.
Para levar com você
A IA na educação já é realidade no cotidiano dos estudantes, mas ainda não é rotina orientada dentro das escolas. Fechar essa distância envolve três frentes que caminham juntas: infraestrutura que sustente o acesso, formação de professores e espaço para experimentar e criar. O projeto de Osasco mostra que, quando essas três frentes se encontram, o estudante deixa de ser apenas usuário da tecnologia.
Se a sua rede de ensino ou instituição enfrenta esse desafio de infraestrutura, vale conhecer como a Arlequim leva computadores virtuais para escolas e órgãos públicos. → Fale com um especialista da Arlequim


