TI estratégica não nasce no discurso, e sim na nuvem. A área de TI só se torna estratégica quando a virtualização, com modelos como o DaaS, tira dela o peso operacional de gerenciar hardware e a libera para atuar perto das decisões de negócio. É o que defende Tiago Jesuíno, CTO da Arlequim Technologies, em artigo publicado no portal TI Inside.
O texto, reproduzido na íntegra abaixo, parte de uma constatação simples: enquanto a TI estiver ocupada resolvendo o básico, seu impacto no futuro da empresa será limitado. Antes de ler o artigo completo, veja os principais pontos no resumo.
Resumo
- A TI tradicional, reativa e voltada ao operacional, dá sinais de esgotamento diante das pressões por eficiência, inovação e velocidade.
- Os investimentos globais em computação em nuvem devem ultrapassar US$ 80 bilhões em 2026, segundo a Gartner, um crescimento de 35,6% sobre 2025.
- Modelos como DaaS e WaaS deslocam o ambiente de trabalho do hardware físico para a nuvem: a empresa deixa de gerenciar máquinas e passa a gerenciar serviços.
- O mercado global de DaaS é estimado em cerca de US$ 10,7 bilhões em 2026 e deve passar de US$ 48,7 bilhões até 2035, segundo o Future Market Insights.
- Ao reduzir a carga operacional, a TI deixa de ser reativa e passa a ser consultiva, mais próxima da estratégia do negócio.
- O conceito de "computador corporativo" perde força: o que importa deixou de ser o dispositivo e passou a ser o acesso.
Ao longo dos anos a área de TI esteve posicionada como uma engrenagem invisível dentro das empresas: essencial para o funcionamento, mas distante das decisões que realmente moldam o negócio. Seu papel era claro: garantir que tudo funcionasse. Quando algo falhava, o time de TI era acionado. Quando tudo rodava bem, o time passava desapercebido. Esse modelo, embora ainda presente em algumas organizações, vem mostrando sinais de esgotamento.
O ponto não é a relevância das atividades da TI, mas o tipo de demanda que ainda recai sobre a área. Hoje, as empresas são pressionadas por eficiência, inovação e velocidade de resposta. Manter equipes altamente qualificadas dedicadas a tarefas operacionais é desperdício de talento. Atualização de máquinas, manutenção de hardware, gestão de acessos, suporte ao usuário final. São atividades necessárias, mas que consomem tempo e energia, concorrendo com questões mais estratégicas. Em operações com múltiplas unidades, como redes de varejo ou franquias, a padronização de ambientes antes de viabilizar uma expansão consome semanas de esforço da equipe técnica.
Enquanto isso, o contexto ao redor muda cada dia mais rápido. Os investimentos globais em computação em nuvem devem ultrapassar US$ 80 bilhões em 2026, segundo estudo da Gartner, um crescimento de 35,6% em relação a 2025. Em paralelo, cerca de um terço de todo o orçamento de TI das empresas já está sendo direcionado para serviços em cloud, reforçando uma mudança estrutural na forma como a tecnologia é consumida. Portanto, já vemos uma redefinição do papel da infraestrutura dentro das organizações.
Nesse contexto, a virtualização — e, mais especificamente, modelos como Desktop as a Service (DaaS) e/ou Workstations as a Service (WaaS) — começam a ganhar relevância como resposta direta a esse desequilíbrio. Ao deslocar o ambiente de trabalho do hardware físico para a nuvem, empresas deixam de gerenciar máquinas para gerenciar serviços. O desktop deixa de ser um ativo e passa a ser uma camada acessível de qualquer lugar, em qualquer dispositivo, independente de configurações ou idade. Na prática, isso permite, por exemplo, que uma empresa abra uma nova unidade ou operação remota em poucas horas, ou poucos dias, sem depender da compra, configuração e envio de equipamentos. É uma mudança aparentemente técnica, mas com impacto direto na dinâmica organizacional.
Outros números ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo relatório do Future Market Insights, o valor de mercado global de DaaS é estimado em cerca de US$ 10,7 bilhões em 2026, e deve ultrapassar US$ 48,7 bilhões até 2035, impulsionado pela demanda por escalabilidade, segurança e trabalho distribuído. Há um indicativo claro de mudança de padrão: novas implementações já nascem majoritariamente em modelos baseados em nuvem, enquanto a infraestrutura local perde relevância gradualmente.
Mas o ponto central não está no crescimento do mercado, e sim no efeito colateral dessa adoção. Ao reduzir drasticamente a complexidade operacional, a virtualização libera a área de TI de uma carga histórica que sempre limitou sua atuação. Sem a necessidade de gerenciar ciclos constantes de troca de equipamentos, configurações individuais e problemas físicos, a TI ganha espaço — e tempo — para atuar mais próxima ao negócio. Na prática, isso significa que times de TI passam a apoiar áreas como comercial, operações ou expansão, viabilizando o desenvolvimento de projetos sem o gargalo tradicional de infraestrutura.
Esse movimento muda a lógica de atuação. A TI deixa de ser reativa e passa a ser consultiva. Sai do suporte e se aproxima da estratégia. Começa a participar de decisões que impactam produtividade, experiência do usuário, segurança e até modelos de receita, como na definição de modelos de trabalho híbrido, na abertura de novas frentes de atendimento digital ou na rápida integração de equipes em processos de fusões e aquisições, por exemplo. Em vez de responder a problemas, passa a antecipar soluções.
Ao mesmo tempo, o próprio conceito de "computador corporativo" começa a perder força. Durante anos, o desktop — ou o laptop — esteve no centro da experiência de trabalho. Hoje, o que importa não é mais o dispositivo, mas o acesso. O ambiente de trabalho tornou-se independente do hardware físico, localização ou configuração específica.
Ainda assim, muitas empresas seguem presas a modelos tradicionais, por inércia ou por fazerem uma leitura incompleta do impacto dessa transformação. Continuam investindo em infraestrutura própria, assumindo custos elevados e mantendo equipes focadas em atividades que contribuem pouco com a geração de valor, o que reflete em ciclos mais lentos de expansão, maior tempo de resposta a mudanças e dificuldade em escalar operações distribuídas. Nesses contextos, falar em TI estratégica sem revisar a base tecnológica é mais retórica do que realidade.
No fim, enquanto a TI estiver ocupada resolvendo o básico, sua capacidade de impactar o futuro da empresa será limitada. Ao reduzir esse peso operacional, abre-se espaço para algo mais relevante: uma área capaz de influenciar estratégia, acelerar decisões e, principalmente, contribuir de forma direta para a competitividade do negócio.
Tiago Jesuíno, CTO da Arlequim Technologies.Publicado originalmente no portal TI Inside._
Perguntas frequentes
O que é TI estratégica?
É a TI que deixa de atuar apenas de forma reativa e operacional e passa a participar das decisões de negócio, influenciando produtividade, segurança, experiência do usuário e até modelos de receita.
Como a nuvem torna a TI mais estratégica?
Ao mover o ambiente de trabalho para a nuvem, com modelos como DaaS e WaaS, a empresa deixa de gerenciar máquinas e passa a gerenciar serviços. Isso reduz a carga operacional e libera o time para atuar perto do negócio.
O que é DaaS (Desktop as a Service)?
É o modelo em que o desktop deixa de ser um ativo físico e vira um serviço acessível de qualquer lugar e dispositivo, sem depender da configuração ou da idade do hardware do usuário.
Quais números mostram esse movimento?
Os investimentos globais em nuvem devem passar de US$ 80 bilhões em 2026 (Gartner), e o mercado de DaaS é estimado em cerca de US$ 10,7 bilhões em 2026, podendo ultrapassar US$ 48,7 bilhões até 2035 (Future Market Insights).
Por que muitas empresas ainda não migraram?
Por inércia ou por uma leitura incompleta do impacto da mudança. Seguem investindo em infraestrutura própria, com custos elevados e ciclos mais lentos de expansão, o que limita a capacidade de escalar operações distribuídas.

