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O futuro da infraestrutura corporativa pode ter menos máquinas do que imaginamos

O futuro da infraestrutura corporativa pode ter menos máquinas do que imaginamos

30/10/2026•
Arlequim Empresarial
Por Arlequim Empresarial
Empresas

Infraestrutura corporativa com menos máquinas: Haroldo Jacobovicz, fundador da Arlequim, analisa nuvem, IA, DaaS e o custo energético dos data centers.

A infraestrutura corporativa está deixando de ser medida pelo que cabe dentro do escritório. Salas de servidores e parques de máquinas próprios perdem espaço para capacidade computacional contratada como serviço, um movimento acelerado pela nuvem, pela inteligência artificial e pelo trabalho híbrido.

Neste artigo, Haroldo Jacobovicz, fundador e presidente do Conselho de Administração da Arlequim Technologies, explica:

  • Por que, pela primeira vez, instalações de terceiros já concentram mais cargas de TI do que as estruturas próprias das empresas
  • Como a IA muda o volume e o perfil da demanda por processamento
  • Por que Desktop as a Service, infraestrutura como serviço e ambientes híbridos chegaram à pauta do C-Level
  • O que a matriz energética brasileira muda no debate sobre o impacto ambiental dos data centers

Historicamente, a robustez da infraestrutura de tecnologia de uma empresa foi medida por aquilo que era possível enxergar nas instalações corporativas. Salas de servidores, racks ocupando espaços inteiros em ambientes isolados e climatizados, além de parques de máquinas que exigiam atualizações periódicas faziam parte da paisagem de organizações onde havia alta dependência da tecnologia para operar.

A tecnologia não deixará de existir. Muito pelo contrário. Ela desempenha um papel cada vez mais importante e estratégico. A diferença é que as empresas não precisam, necessariamente, manter uma infraestrutura de tecnologia 100% física e presencial.

Mais cargas de TI fora das instalações das empresas

Os números mais recentes ajudam a dimensionar essa mudança. Pela primeira vez, segundo o levantamento global de 2026 do Uptime Institute, instalações de terceiros, como data centers especializados, colocation e ambientes de cloud, concentram uma parcela maior das cargas de TI das empresas do que as estruturas próprias: 46%, contra 44% mantidas em instalações corporativas. É uma diferença pequena, mas simbólica. A infraestrutura que sustenta o negócio já não precisa pertencer ou estar fisicamente dentro da empresa para cumprir seu papel.

A computação em nuvem participa dessa transformação há alguns anos e, com a chegada da Inteligência Artificial, o processo ganha velocidade.

A IA altera não apenas o volume de processamento necessário, mas também o perfil dessa demanda. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo de eletricidade dos data centers tenha crescido 17% ano passado. Nos centros voltados especificamente para cargas de Inteligência Artificial, o avanço foi ainda maior: 50% no mesmo período.

Capacidade computacional sob demanda

Esse movimento ajuda a explicar a redução na compra direta de equipamentos para atender novas demandas. É uma mudança semelhante à que ocorre quando uma empresa precisa transportar maior volume de mercadorias em determinado período do ano. Imobilizar uma frota própria de caminhões apenas para dar conta do movimento da Black Friday não é uma atitude racional. Faz mais sentido contratar capacidade extra de transporte de acordo com a necessidade.

Na infraestrutura de tecnologia, o fundamento é parecido: acessar capacidade computacional sob demanda pode ser mais adequado do que transformar toda necessidade futura em patrimônio físico.

Isso não significa, porém, que transferir infraestrutura para a nuvem resolva automaticamente todos os problemas. A própria expansão dos ambientes digitais mostra que eficiência depende de gestão. Dados do Digital Government Outlook 2026 publicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) posicionam modelos de cloud como alternativas para acessar capacidade computacional conforme a demanda de cada organização, respeitando questões sazonais.

Em paralelo, a mudança cria desafios de governança, segurança e gestão de ambientes que exigem combinar infraestrutura própria e cloud privada. De acordo com o estudo, 69% dos países da OCDE tornaram mais da metade de seus serviços online acessíveis por meio de uma identidade digital. Além disso, 92% do governo desses mesmos países já utilizam estratégias específicas de uso de IA.

DaaS e ambientes híbridos chegam à mesa do CEO

Por isso, conceitos como Desktop as a Service, infraestrutura como serviço e ambientes híbridos ultrapassaram as salas de discussão restritas às áreas de Tecnologia da Informação. Agora o assunto entrou na pauta que envolve definição de estratégias de negócio, tomadas de decisão e direcionais debatidos na mesa do CEO, executivos C-Level ou até mesmo em reuniões de Conselhos de Administração. E até de Chefes de Estado.

O avanço do trabalho remoto e dos modelos híbridos também transformou uma premissa que dominou a infraestrutura de TI durante décadas: a de que o colaborador precisa estar fisicamente próximo das instalações corporativas para desempenhar seu trabalho.

Hoje, um profissional pode acessar aplicações complexas, ambientes gráficos pesados e grandes volumes de dados a partir de dispositivos relativamente simples. O poder computacional já não precisa estar necessariamente na máquina que está diante do usuário. Pode estar distribuído entre nuvem, data centers próprios e infraestrutura de fornecedores especializados.

Ao mesmo tempo, essa transformação não significa que os data centers individuais desaparecerão ou que toda a infraestrutura migrará para a nuvem. O cenário que se desenha é multifacetado. Empresas tendem a combinar diferentes ambientes, distribuindo aplicações e dados conforme exigências de desempenho, segurança, disponibilidade e conformidade.

O próprio crescimento da infraestrutura digital reforça essa necessidade de escolhas. A IEA também projeta que o consumo global de eletricidade dos data centers mais que dobre até 2030, impulsionado principalmente pela expansão da inteligência artificial.

Data centers e a matriz energética brasileira

E, nesse debate, existe uma particularidade brasileira que merece atenção.

Comparações internacionais sobre o impacto ambiental dos data centers precisam considerar a origem da energia utilizada. Estudo da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), publicado em 2026, comparou uma instalação hipotética de 1 MW de carga de TI, com PUE (Power Usage Effectiveness, medida de eficiência energética) de 1,4, no Brasil e nos Estados Unidos. No cálculo de emissões de Escopo 2 pelo método location-based, o cenário central estimado para o Brasil foi de aproximadamente 638 toneladas de CO₂ equivalente por ano, contra cerca de 4.550 toneladas nos Estados Unidos.

A diferença não significa, necessariamente, que data centers brasileiros sejam mais sustentáveis. O próprio estudo mostra que outros componentes, como as emissões associadas à fabricação e à cadeia de equipamentos, também precisam ser considerados. Mas o dado evidencia que não é possível transportar automaticamente para o Brasil conclusões produzidas em mercados com matrizes elétricas diferentes.

Esse ponto será cada vez mais relevante à medida que a infraestrutura digital crescer. No Brasil, os data centers representaram 1,7% do consumo de eletricidade em 2024, segundo levantamento da Brasscom com apoio da ABDC. A projeção indica que essa participação chegará a 3,6% em 2029. O crescimento é expressivo e exige planejamento, mas também mostra que o debate precisa ser feito a partir da realidade energética brasileira, e não apenas de referências internacionais.

A sustentabilidade da infraestrutura digital, portanto, não depende somente de onde o servidor está. Depende de como ele é utilizado, de qual energia o alimenta, de sua eficiência e de quanto tempo seus equipamentos permanecem em operação.

A nova pergunta da infraestrutura corporativa?

Se no passado a pergunta era "quais equipamentos precisamos comprar?", agora a dúvida é: "qual experiência tecnológica devemos oferecer aos colaboradores, clientes e parceiros?".

A resposta a essa pergunta deve moldar os investimentos corporativos dos próximos anos. E as empresas mais competitivas podem ser justamente aquelas que conseguirem depender menos da infraestrutura local como patrimônio enquanto extraem o máximo potencial da tecnologia em modelos de contratação como serviço.

Haroldo Jacobovicz é fundador e presidente do Conselho de Administração da Arlequim Technologies.

Fonte original: TI Inside, 28/09/2026: https://tiinside.com.br/28/09/2026/o-futuro-da-infraestrutura-corporativa-pode-ter-menos-maquinas-do-que-imaginamos/

Perguntas frequentes sobre o futuro da infraestrutura corporativa


As empresas vão deixar de ter servidores e data centers próprios?

Não necessariamente. O cenário descrito no artigo é híbrido: as empresas tendem a combinar infraestrutura própria, nuvem e fornecedores especializados, distribuindo aplicações e dados conforme exigências de desempenho, segurança, disponibilidade e conformidade.

O que é infraestrutura como serviço?

É o modelo em que a empresa contrata capacidade computacional de acordo com a necessidade, em vez de comprar e manter equipamentos como patrimônio. A mesma lógica vale para a infraestrutura de GPU para IA, em que capacidade sob demanda evita hardware ocioso. O Desktop as a Service (DaaS) aplica o mesmo raciocínio aos computadores dos colaboradores.

Como acessar aplicações pesadas a partir de um dispositivo simples?

O processamento acontece no servidor, e o dispositivo do usuário recebe apenas a imagem via streaming. Em cargas gráficas intensas, a GPU virtual (vGPU) permite compartilhar placas de vídeo de alto desempenho entre várias máquinas virtuais.

Migrar para a nuvem resolve todos os problemas de TI?

Não. A eficiência continua dependendo de gestão. A mudança traz desafios de governança, segurança e administração de ambientes que combinam infraestrutura própria e nuvem privada, o que torna modelos como o Zero Trust cada vez mais presentes na gestão de TI.

Data centers no Brasil emitem menos carbono do que nos Estados Unidos?

No cálculo de emissões de Escopo 2 citado pela ABDC, sim, por causa da matriz elétrica brasileira. O próprio estudo, porém, alerta que fabricação e cadeia de equipamentos também precisam entrar na conta antes de concluir que a operação é mais sustentável.

Menos máquinas dentro do escritório não significa menos tecnologia: significa trocar patrimônio físico por capacidade contratada conforme a demanda, com o desafio de fazer isso com boa gestão, segurança e atenção à realidade energética do Brasil. Se a sua empresa está repensando o parque de máquinas, vale entender como a Arlequim leva os desktops corporativos para a nuvem, com gestão centralizada e acesso de qualquer dispositivo.